Gnose Inverificável Pagã


A Gnose Inverificável (ou Revelação Inverificada seja Pessoal ou Partilhada) é parte da realidade do Paganismo por mais anticorpos que estas expressões possam despertar. E, na verdade, não há motivo algum para serem expressões que retirem validade à experiência pagã / no Paganismo.
Senão vejamos, a revelação inverificada (em inglês Unverified [Personal/Shared] Gnosis - UPG ou USG) refere-se a toda as crenças espirituais, verdades ou revelações experienciadas ou adquiridas por um indivíduo ou vários que se baseiam em experiências pessoais e que são diferentes ou não existem de todo nos cânones aceites das tradições em cima das quais são retiradas. O termo é usado com frequência em grupos reconstrucionistas para distinguir as crenças e práticas de um indivíduo baseadas na sua experiência pessoal, das crenças e práticas baseadas em mitos, folclore, ou evidências arqueológicas. A gnose pessoal inverificável pode manifestar-se sob a forma de "feeling", intuição, instinto, gesto "espontâneo", algo que "de repente fez sentido", uma mensagem recebida de alguma forma através de sonho ou visão. Para os reconstrucionistas as fontes de referência primária de liturgia e cosmogonia tendem a ser retiradas das obras escritas que sobreviveram até aos nossos dias como poemas épicos, discussões filosóficas, vários documentos históricos e contas etnográficas, bem como de evidências retiradas por arqueólogos e historiadores. A gnose pessoal inverificável pode preencher ausências de entendimento/conhecimento que as referências verificadas deixam por compreender mas convém reconhecer esta ferramenta com todo o seu potencial e limitações. O termo gnose partilhada inverificável é aplicável quando várias pessoas chegam à mesma conclusão de forma independente seja através de dedução lógica, o "fez sentido", uma visão, sonho ou outra mensagem recebida de modo sensorial ou extra sensorial. 

Expressões derivadas da Gnose Espiritual:

Gnose - Gnose ou Gnosis (do Γνωσις gnosis: 'conhecimento superior, 'conhecimento interno') é um estado mental específico, que permite o contato com outros planos não físicos, como o plano etérico e o plano astral (ou espiritual), que pode ser alcançado por métodos de transe, assim como meditação ou privação de sentidos, além de métodos de hiper-excitação, que pode ser utilizado para realizar reflexões filosóficas, ou rituais mágicos e religiosos.

Gnose/Revelação Pessoal Inverificável - Informação e conhecimento que chega ao indivíduo através de meios que não não permitem uma confirmação objetiva. Este conhecimento pode ser aprendido em sonhos, em transe, em trabalhos de adivinhação ou mensagens intuitivas espontâneas, normalmente (mas não exclusivamente) em contexto de culto ou estudo. Não é algo que se inventa ou algo que se ache ser verdade. É algo que se acredita verdadeiro porque se confia na fonte de onde esse conhecimento veio e mesmo que não consiga ser "comprovado" é mais verdadeiro para quem recebeu a mensagem do que para outra pessoa.

Gnose/Revelação Partilhada Inverificável -  Se múltiplas pessoas receberam a mesma mensagem, então estamos perante um fenómeno de Gnose Partilhada (ou Colectiva) Inverificável. Na prática é uma Gnose Pessoal Inverificável que foi recebida num momento e confirmada por outras pessoas independentes posteriormente que corroboram com a informação revelada.

Epifania - Do latim tardio epiphanīa, que veio por sua vez do grego ἐπιϕάνεια, de ἐπιϕανής, "visível", derivado de ἐπιϕαίνομαι, "aparecer") é um sentimento que expressa uma súbita sensação de entendimento ou compreensão da essência de algo. Em contexto de gnose religiosa, é o conhecimento religioso recebido de uma fonte divina. Uma Gnose Pessoal Inverificável pode ser uma Epifania que por sua vez é sempre inverificável também. 

Teofania - É um conceito de cunho teológico e é etimologicamente enraizado na língua grega: "theopháneia" ou "theophanía". Significa a manifestação do Divino em algum lugar, coisa ou pessoa. Em contexto de gnose no Paganismo é um momento em que os Deuses se manifestam a si próprios. Uma epifania pode ser teofânica e toda a teofania é uma revelação não verificada

Tradição Espiritual/Religiosa - Se pessoas suficientes receberam a mesma mensagem e a aceitaram como válida e legítima ela passará a fazer parte do cânone da tradição. Todos os elementos sobrenaturais de todas as religiões começaram por ser uma revelação inverificada pessoal e partilhada. Note-se, no entanto, que este processo não é instantâneo e normalmente depende de uma integração orgânica  que pode demorar gerações a estabelecer-se em legitimidade na tradição.

Gnose/Revelação Verificada - Revelação recebida e corroborada por fontes e referências tidas como canónicas (ou reconhecida posteriormente depois de vingar como revelação inverificada partilhada válida). Essencialmente, quando alguém recebe uma epifania e posteriormente (com o devido estudo e procura de referências) descobre que é corroborada pelas fontes da tradição.

Vale a pena reforçar a ideia que o Paganismo é uma religião viva, assim como os Deuses são vivos. Esta característica no Paganismo leva-nos à realidade da comunicação entre Deuses e Humanidade e à sua participação ativa nas vidas de quem se relaciona com Eles. Porque a comunicação entre Humanidade e Deuses não existe só da primeira para os segundos, nós recebemos mensagens, sinais (e até recados), e assim como nos respondem às nossas oferendas, invocações e preces, também nos visitam em sonhos e visões,

E agora alguém poderá perguntar de forma legítima "Então e se a minha revelação inverificada contrariar todas as evidências da tradição?", aqui não há outra coisa a fazer que não assumir um dilema. Será que a tradição, que resulta de um somar de gerações de epifanias, está errada? Ou poderá a fonte dessa revelação específica estar a induzir a uma interpretação dúbia de forma intencional (seja ela qual for)?  Os cânones tradicionais poderão ter falhas (que as terão sempre) e a cristianização de muito conteúdo antigo pode condicionar textos e contextos, logo, tudo tem de ser medido e pesado perante a visão da tradição e como a epifania vai encaixar nela.

No final do dia cabe exclusivamente a cada um a decisão de acreditar na sua revelação. Ninguém tem a obrigação de acreditar no que lhe foi revelado nem no que foi revelado a outra pessoa porque a nossa perceção de verdade pertence ao nosso plano e no plano dos Deuses as coisas não são da mesma forma. E já agora, Ninguém tem a obrigação de se devotar a uma entidade que se revele numa epifania ou noutra ocasião. A escolha continua a ser nossa entre quem escolhemos acreditar e confiar (e esta regra é válida para todos os planos!). Se de facto uma revelação contradizer os cânones tradicionais vigentes, ela vai se manter uma revelação, apenas inverificada. Nós podemos não controlar as revelações que nos tocam, e elas manter-se-ão revelações ainda que inverificadas, mas temos controlo sobre o que fazer com elas, e agir ou não sobre é nosso para assumir.


Referências: 
https://wildhunt.org/2019/03/column-in-defense-of-unverified-personal-gnosis.html https://witchipedia.com/glossary/unverified-personal-gnosis/ https://www.patheos.com/blogs/johnbeckett/2019/03/upg-why-unverified-personal-gnosis-is-good-and-necessary.html
https://windintheworldtree.wordpress.com/2019/09/14/unverified-personal-gnosis-upg/


Natureza dos Mistérios

 Natureza é a condição do universo, e tudo o que o nele habita é natural dele.

Posto isto, temos mitos e arquétipos que convidam ao trabalho de natureza mais ou menos civilizacional e da natureza mais ou menos selvagem. Ambas são naturais quer no nosso plano quer nos outros e a aceitarmos o convite de trabalharmos com as chaves de conhecimento que nos disponibilizam, os mistérios são revelados e a nossa natureza expande-se para os manifestar. 
A condição da natureza também pode ser observada nas próprias concepções dos Deuses e do Divino, e esse padrão reflecte-se, por exemplo, nas narrativas de Deuses de cara voltada para a natureza da civilização e Deuses de cara voltada para a natureza selvagem. 
Desta forma, assumimos Deuses que nos abrem portas para o conhecimento da natureza da civilização, e Deuses que nos abrem portas para o conhecimento da natureza selvagem.
Então, se os Mistérios são fenómenos naturais e a concepção de Divino e Deuses parte também da condição da Natureza como absoluta, toda a viagem iniciática que é a experiência da vida, nos coloca no plano de contacto com estes fenómenos e realidade. 

E se há contacto, há caminho, porque o mistério é tão natural como a morte a vida, o apogeu e o declínio, porque o todo é maior do que a soma das partes e nós somos deste todo.


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Referências: Paganismo/Bruxaria



J.Farrar and G.Bone – Progressive Witchcraft
J.Farrar and G.Bone – Lifting the Veil
J.Campbell – The Masks of God
R.Hutton – The Triumph of the Moon
R.Hutton – The Witch
S. Federici - Witches, Witch-hunting, and Women 
S. Federici - The Caliban and the Witch
S. Pike - Earthly Bodies, Magical Selves: Contemporary Pagans and the Search for Community
T. Luhrmann - Persuasions of the Witch's Craft: Ritual Magic in Contemporary England
S. Greenwood - Magic, Witchcraft and the Otherworld
D. Purkiss - The Witch in History: Early Modern and Twentieth-Century Representations
J. Salomonsen - Enchanted Feminism: The Reclaiming Witches of San Francisco

Contemporary Pagan and Native Faith Movements in Europe (ed. K. Rountree)
The Cambridge History of Magic and Witchcraft in the West (ed. David J. Collins)
Handbook of Contemporary Paganism (ed. James R. L)


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Referências: Mesopotâmia

 


Online:


The Electronic Text Corpus of Sumerian Literature (ETCSL), a project of the University of Oxford, comprises a selection of nearly 400 literary compositions recorded on sources which come from ancient Mesopotamia (modern Iraq) and date to the late third and early second millennia BCE


The Pennsylvania Sumerian Dictionary Project (PSD) is carried out in the Babylonian Section of the University of Pennsylvania Museum of Anthropology and Archaeology. It is funded by the National Endowment for the Humanities and private contributions.


Eduba é a casa dos escribas, a "escola" da arte de escrever, dedicada à Deusa Suméria Nisaba (Senhora dos Registos Divinos), e no Templo de Inanna é o projecto de estudo do Paganismo em Portugal.


Bibliografia:

S.N.Kramer – A História começa na Suméria
S.N.Kramer – Sumerian Mythology
S.N.Kramer and Diane Wolkstein – Inanna, Queen of Heaven and Earth
S.N.Kramer and John Maier – Myths of Enki, the Crafty God
Oxford World’s Classics – Myths from Mesopotamia
Black, Cunningham, Robson and Zólyomi – The Literature of Ancient Sumer
Benjamin R. Foster – Before the Muses
T.Jacobsen – The Treasures of Darkness
T.Jacobsen – The Harps That Once…
J.Black and A.Green – Gods, Demons and Symbols of Ancient Mesopotamia
Div. – Anointed – A Devotional Anthology for the Deities of the Near and Middle East
Gwendolyn Leick - Sex and Eroticism in Mesopotamian Literature (1994)
Harriet Crawford-Sumer and the Sumerians-Cambridge University Press (1991)
Gwendolyn Leick – Mesopotamia
Peeter Espak - The God Enki in Sumerian Royal Ideology and Mythology
Betty De Shong Meador , Judy Grahn - Inanna, Lady of Largest Heart
S. M. Maul , B. McNeil , A. J. Edmonds - The Art of Divination in the Ancient Near East

Sites:
http://www.gatewaystobabylon.com/
https://www.angelfire.com/me/babiloniabrasil/index.html (em portugês)

Recontar dos mitos por Lishtar:
http://www.gatewaystobabylon.com/
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A Fórmula do Arquétipo



A palvara "arquétipo" vem do grego ἀρχή - arché que significa "ponta", "posição superior", "princípio", e τύπος - tipós: "impressão", "marca", "tipo". Trata-se de um conceito que representa o primeiro modelo de algo, protótipo, ou antigas impressões relativas  a determinado conceito ou experiência. Por ser uma definição tão abrangente, o termo "arquétipo" é explorado em diversos campos de estudo, como a filosofia, psicologia, a narratologia e a religião e espiritualidade contemporâneas.

Na filosofia, o termo archetypos é usado por filósofos neoplatónicos (como Plotino) que segundo a concepção de Platão, designa as ideias como modelos originários de todas as coisas existentes. 
Entre médio platônicos, como nas cartas de Cícero e em Plutarco, este termo também é recorrente. Na filosofia teísta (crença em Deus) e vertentes, através da confluência entre neoplatonismo, ou platonismo cristão, e o cristianismo (aspectos espirituais e cosmológicos platónicos) o termo indica ideias da mente de um Deus. 

Carl Gustav Jung desenvolveu este conceito na psicologia analítica para se referir a conjuntos de imagens psicóides primordiais que dão sentido aos complexos mentais e às histórias passadas entre gerações, formando o conhecimento e o imaginário do inconsciente coletivo; agem como estruturas inatas, imateriais, com que os fenómenos psíquicos tendem a moldar-se, e servem de matriz para a expressão e desenvolvimento da psique. Desta forma, o arquétipo também pode ser associado a experiências universais, como nascimento e morte. Jung cita precedentes do uso do termo entre Plotino, Fílon, Ireneu, Dionísio Areopagita e o Corpus Hermeticum.

Nos novos movimentos religiosos e espiritualidades contemporâneas, o termo arquétipo é usado como uma fórmula que codifica padrões imanentes, humanos e naturais, e tanto é aplicado ao campo Divino como ao campo Humano, porquanto os Deuses podem trabalhar em determinado arquétipo(s) como Deusas/Deuses Fertilidade, das Batalhas, da Vida, da Morte, assim como nós podemos ressoar nestes mesmos padrões e identificar-nos com a Mãe Fecunda, a Donzela Selvagem, quem dá a vida e quem mata e morre. Esta dinâmica de padrões divinos que se reflectem na humanidade são facilmente identificados na narratologia porque, segundo Jung, os arquétipos do inconsciente coletivo também se expressam através de narrativas, em especial o mito e os contos fantásticos infantis. Nas palavras de Jung: “ Nos mitos e contos de fada, como no sonho, a alma fala de si mesma e os arquétipos revelam-se na sua combinação natural, como formação, transformação, eterna recriação do sentido eterno.".

O arquétipo, em si, representa uma chave, uma proposta de entendimento de um padrão, e nesse potencial desconstrutivo é que se revela a fórmula. Todo o arquétipo tem uma fórmula que nos convida a observá-la, a experimentá-la e a testá-la, porque é na sua experiência que o arquétipo se verifica e se reforça. Mas o arquétipo também é dinâmico. Não se limita ao que já existe, mas também pode incluir o anseio continuado de mudança. E o próprio arquétipo, a par do nosso coletivo mental, vai mudando com as nossas ideias sobre ele próprio.

Trabalhar com arquétipos no Paganismo Universalista é um caminho enriquecedor porque partimos do que tem sido vivido e sentido pelo coletivo e relacionamo-nos com ele a nível pessoal quando o reconhecemos também em nós.



Referências:
Jung, Carl G (2000). Os arquétipos e o inconsciente coletivo. Rio de Janeiro: Vozes. 
Vogler, Christopher (2006). A jornada do escritor: estruturas míticas para escritores. Rio de Janeiro: Nova Fronteira. 
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Paganismo no Séc. XXI

 


O sacerdócio antigo dedicava-se a manter o padrão para o fortalecer e para que sobrevivesse histórica e religiosamente, seja por escrita e reescrita dos seus mitos, seja na incorporação de manifestações de cultos para as massas,  seja estabelecendo cânones religiosos e teológicos, seja definindo a especificidade da agência de determinada entidade, as características com que se apresenta à humanidade e ao povo que lhe era devoto. Os cânones resultam e ainda hoje quando queremos conhecer determinada entidade procuramos conhecer a sua história mitológica e as manifestações de culto  anteriores.

Hoje, os tempos mudaram o paradigma. Não temos uma ordem sacerdotal dedicada a trabalhar e manter um padrão de culto aos Deuses adorados antigamente. Temos indivíduos que procuram na relação directa e pessoal a experiência com a entidade, e o que acontece frequentemente é que invariavelmente estas experiências, pela natureza introspectiva e projectiva dos estados alterados de consciência, vão revelar muito mais do devoto do que da entidade devotada, Mas quanto desta realidade representará uma real mudança nos processos de devoção? A sensibilidade mental do devoto de há 6 mil anos é a mesma da nossa hoje? Certamente que a mente funcionará da mesma forma, mas com narrativas e conceitos diferentes que o condicionarão mais ou menos nestas experiências com o sagrado a começar com o que o conceito de sagrado representa para a cultura de onde o devoto vem. Então se a psique será a mesma, ainda que os códigos usados para decifrar a experiência humana e transcendente sejam diferentes, então serão os Deuses os mesmos de antigamente mudando os códigos que representam e com os quais se apresentam à humanidade? Se assumirmos que sim, que os Deuses enquanto chaves para  o conhecimento que nos escapa mas que ansiamos por alcançar, então a relação directa que desafia cada devoto a trabalhar a partir de si próprio e das suas ansiedades e conflitos internos é tão legítima hoje como o era há 5 mil anos atrás.

Talvez seja interessante considerar que esta nova abordagem aos Deuses é tão parte integrante da sua  natureza como a percepção de antigamente. Porque ainda que não sejam o mesmo fenómeno, são desencadeadas pelo mesmo fenómeno.  

E da mesma forma que conseguimos observar os anseios coletivos e individuais presentes nos mitos e práticas de culto antigos, faz sentido a continuidade de casar esse padrão às nossas interpretações, reflexões e práticas de culto hoje.

Será polémico dizer que nunca houve uma altura melhor para se ser pagão do que agora? Que não hajam dúvidas de que nunca houve melhor altura sem ser a actual para se ser mulher e pagã no mundo ocidental em que nos movemos.

E não será por acaso que o valor mais prezado pelos Pagãos em Portugal é a liberdade.

Politeísmo Suave ou Rigoroso

 


Dois termos que nos vamos habituando a ouvir em conversas sobre Deuses e Deusas são os termos politeísmo rigoroso ou suave (em inglês hard vs soft polytheism). Estes termos assumem que conhecer os nomes e as características ou mesmo faculdades dos Deuses, pode significar ou não o reconhecimento da sua existência autónoma. 

A maior parte das definições do politeísmo suave centra-se nos arquétipos, e os arquétipos são efetivamente um conceito que trabalha com e para o padrão. Mas trabalhar exclusivamente com o arquétipo convida a algumas armadilhas de perceção nomeadamente à ideia confortável e sem espinhos de todos os Deuses serem um Deus Só e Todas as Deusas serem uma Deusa Só, ou que podemos trabalhar com o TODO de uma forma mais fácil. Esta ideia é enganadora simplista, e como todas as que se apresentam simplistas, perdem boa parte do conteúdo no processo e por conteúdo entenda-se o próprio conceito de politeísmo.

Assim como os mitos não podem ser entendidos como elementos independentes, arquétipos não podem ser entendidos de forma independente uma vez que dependem dos mitos para se desenvolver. Na prática, a questão do politeísmo suave ou rigoroso é uma questão teológica, ou seja, ou partimos do princípio que Deuses e Deusas correspondem a entidades com agência própria (agência essa que é a razão de serem entendidos como Deuses em primeiro lugar), ou Deuses e Deusas são entendidos como ideias, como mitos em si e por si só, sem mais poder do que o nosso. E se olharmos para esta dicotomia desta forma, a questão não é ser suave ou rigoroso, é somente SER politeísta ou NÃO SER.

Ou os Deuses são vistos como Theoi em qualidade própria (Deuses em grego: Theoi; Θεοί), ou são vistos como ideias sobre o divino. Atenção que nenhuma das abordagens pode ser considerada superior ou inferior porque ambas partem de perceções e crenças sobre a realidade em que participamos e todas as abordagens devem ser respeitadas por igual especialmente quando o debate das mesmas é feito sem preconceitos ou sombras como chamar politeísmo a uma abordagem que no limite pode tratar-se de ateísmo panteísta ou não deísmo que nada tem de poli sem ser a utilização dos nomes, características e mitos. 

Reforçamos que qualquer uma destas abordagens enquanto caminho espiritual é válida e enriquecedora dentro do seu quadro de significância. Ainda assim, apelamos a que uma reflexão maior seja feita quando é assumido um conceito como o politeísmo, sem desmérito nenhum para quem o é ou não porque o sagrado e o divino nos podem acolher a todos por igual independentemente dos paradigmas em que funcionemos.

Porque ser politeísta é de facto considerar os Deuses como seres autónomos, com vontade e agência, poder e influência dentro das suas esferas. Porque assumir que o politeísmo e o ateísmo são abordagens teológicas e relativas à teologia respetivamente, é assumir o debate dentro do Paganismo sobre teologia e essa oportunidade pode ser muito enriquecedora para os pagãos contemporâneos por nos confrontarmos com as nossas experiências com os Deuses e com as nossas ideias sobre o divino e o que nos leva a reconhecê-las como uma relação teológica/ateológicas por direito. 

E vocês, politeístas? Como é a vossa relação teológica com os Deuses? E vocês não deístas? Como é a vossa relação com as ideias sobre o divino? Como é que nós pagãos nos relacionamos com o Divino?


Referências: 
https://hellenicfaith.com/2017/11/27/hard-polytheism-and-soft-polytheism-a-non-distinction/

https://windintheworldtree.wordpress.com/2020/12/10/polytheism-and-interpretatio/

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Liberdade do Sagrado Feminino


No dia 1 de Abril de 2008, Jane Shinoda publicou o livro entitulado "Urgent Message from Mother: Gather the Women, Save the World (Eco Feminism, Mother Earth, for Readers of Goddesses in Everywoman)", e ainda que o ecofeminismo não fosse inédito, a mensagem dirigida às mulheres não deixou de ser lida, até hoje, com um estremecimento interno pelas mulheres que se cruzam com esta obra. Este gesto veste-se de toda a significância quando dirige um apelo mundial ao género que ainda luta pela voz dentro das civilização e culturas que tanto o descriminou e descrimina. E este género perfaz mais de metade da humanidade. Esta mensagem é mais do que um apelo para limpar a casa planetária. Esta mensagem ressoa bem fundo de todos os nossos anseios por justiça, liberdade e agência e a ideia de sagrado feminino representa hoje um caminho de reconquista de leituras, de mitos, e de teologia que sirva exatamente esses valores.

Trabalho de ritos, mitologias, círculos, e mesmo academia relativamente a estas áreas é uma necessidade que recompensa quem a ela se dedica, porque não há nada mais recompensador do que devolver o direito à voz, e ver pessoas comprometidas com o seu caminho a descobrirem o seu poder  e validar o de outras. No trabalho com o sagrado feminino a generosidade, a dádiva, o orgulho e as lágrimas são frequentes. Trata-se de um trabalho parar romper o padrão de uma cultura feminina tóxica e descobrir formas que nos beneficiem nas nossas relações connosco próprias e com outras mulheres. E neste processo, compreendemos que o sagrado feminino é real e que uma vez tocando na nossa essência, nos transforma para sempre. E nessa transformação nasce a escolha: agir ou não agir sobre. E independentemente da escolha, a lição fica, porque escolher entre procurar a transformação ou não, já é liberdade. Para quem escolhe a transformação e a descoberta, fica liberdade de celebrar a sororidade encontrada e o conhecimento de que nunca estaremos sozinhas e de que temos trabalho pela frente., em nome das que foram, das que são e das que serão depois de nós.

Referências:
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ZWEIG, Connie & ABRAMS, Jeremiah. Ao Encontro da Sombra. São Paulo, Editora Cultrix, 1991.

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O Mapa no Mito



A palavra mito vem do grego clássico: μυθος que romanizado se grafa mithós. O mito é uma narrativa de caráter simbólico-imagético que evolui com as condições históricas e étnicas relacionadas a uma dada cultura, que procura explicar e demonstrar, por meio da ação e do modo de ser das personagens, a origem das coisas (do mundo; dos Deuses; da Humanidade; dos animais; das doenças; dos objetos; das práticas de caça, pesca, medicina entre outros; do amor; do ódio; da mentira e das relações,. entre e intra cada uma destas realidades) sendo muito frequente assumirem um tom pedagógico por valorizar determinadas condutas de acção e atitudes em detrimento de outras num esquema directo de castigo versus recompensa. Vale a pena reforçar que o mito não é uma realidade independente  sendo correto afirmar que o mito depende de um tempo e espaço para existir e para ser compreendido. 

Há vários tipos de mitos entre os quais:
Cosmogonias: mitos de origem e destruição, incluindo os messiânicos e milenarista;
Mitos folclóricos: locais, regionais, etnográficos;
Mitos fundadores, onde se explica a origem de um rito, uma crença, uma filosofia, uma cidade ou comunidade;
Mitos de providência e destino: o conceito grego de húbris está presente em toda a mitologia clássica e reflete este tipo de mito;
Mitos de renascimento e renovação, incluindo os de memória e esquecimento;
Mitos de seres superiores e seus descendentes;
Soteriológicos: de salvadores e heróis;
Mitologia: grupo organizado de mitos que parte de um panteão de entidades (divinas ou heróicas que alcançam o estatuto divino);

Como o mito está associado o rito e o rito é o modo de se pôr em ação o mito na vida humana - seja  em cerimônias, danças, orações e sacrifícios, uma das formas mais reveladoras de trabalho com o mito é a sua experiência e vivência como psicodrama.  O psicodrama é uma psicoterapia em grupo em que a representação dramática improvisada é usada como núcleo de abordagem e exploração da psique humana e seus vínculos emocionais, visando à catarse e ao desenvolvimento da espontaneidade do indivíduo. Trabalhar o mito em rito em grupo é das mais antigas manifestações humanas de integração à realidade seja ela sensorial ou sensorial, seja ela material ou imaterial, seja ela visível ou invisível. Em grupo, recriamos os mitos e ressoamos nos arquétipos que evocamos numa abordagem que permite a espontaneidade pela UPG/UCG (revelação pessoal não verificada/revelação coletiva não verificada) porque por mais que se repita o mito em rito, este despertará sempre novas experiências e inferências mimicando a dinâmica de renovação transportada pelos próprios mitos (a maioria deles espelha ciclos naturais que como o nome indica, se repetem, ciclicamente).
Portanto, enquanto narrativa organizada, o mito apresenta todos elementos necessários para a sua dramatização ritualizada. E quando aliamos o potencial do mito à fórmula do arquétipo, temos um resultado ritualístico transformador que permitirá a quem nele participe, protagonizar as forças mitológicas que integram a narrativa ao mesmo tempo que conecta os padrões internos aos padrões externos e eternos captados pelo próprio arquétipo e pela dinâmica cíclica trabalhada no mito.

E assim se recriam os mitos que celebram as estações, seja através da passagem de Deuses de um plano para o outro, seja da própria natureza protagonizando a dinâmica do mito através de agência própria. Assim como o ser humano acolhe a primavera que marca o fim do inverno, também a nossa psique reage ao sopre de vida que começa a rebentar nos campos, e o sol que nos dá mais dia. Estes movimentos não nos são indiferentes, e quando escolhemos celebrá-los e experienciá-los em rito, os mitos são os mapas que nos permitem orientar pelos conceitos e fenómenos que  nos traçam o caminho para que ciclicamente retornemos ao gesto de recriar o cosmos num psicodrama colectivo.


Referências:
GRIMAL, Pierre (2013). Mitologia grega. Rio Grande do Sul: L&PM
ORTIZ-OSÉS, Andrés Cuestiones fronterizas: una filosofía simbólica. Barcelona: Anthropos, 1999.
CHEERS, Gordon Mitologia: mitos e lendas de todo o mundo. Seixal: Lisma, 2006
FERREIRA, A. B. H. Novo Dicionário da Língua Portuguesa. 2ª edição. Rio de Janeiro. Nova Fronteira. 1986. p. 1 411.

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Paganismo, Mistérios e Comunidade são os motes do nosso trabalho contante de reflexão e de culto que servem as comunidades que nos envolvem (sejam elas pagãs ou não).

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